No dia 18 de maio, o governo federal começou a pagar a segunda de três parcelas do auxílio emergencial para trabalhadores informais e beneficiários do Bolsa Família. O auxílio de R$ 600, R$ 1.200 no caso de mães chefes de família, tem por objetivo amenizar o impacto econômico da crise causada pela pandemia do Covid-19.

Por trás do auxílio emergencial, no entanto, há uma discussão bem mais antiga – e bem mais ampla. A renda básica universal. “Nos últimos anos já havia um movimento de trazer a proposta da renda básica como solução de mudanças disruptivas no mundo do trabalho, como a automação e a precarização”, explica Leandro Ferreira, presidente da Rede Brasileira de Renda Básica. “Só não se esperava que acontecesse algo tão forte como a pandemia em que essa ideia seria pescada.”

Leandro é o convidado do décimo primeiro do Dadocracia, o podcast sobre tecnologia e sociedade do Data Privacy Brasil. Nesta edição, o tema foi justamente a renda básica, assim como dificuldades que precisam ser superadas para políticas do tipo sejam implementadas de forma permanente.

Dificuldades como, por exemplo, uma compreensão errônea de que a renda básica afastaria as pessoas do trabalho. O ministro da Economia Paulo Guedes deixou isso claro ao afirmar que se o auxílio emergencial fosse estendido indefinidamente “aí ninguém trabalha. Ninguém sai de casa e o isolamento vai ser de oito anos porque a vida está boa, está tudo tranquilo.”

“Reflete um preconceito existente em torno de programas de garantia de renda e de transferência de renda, que também existiu no caso do Bolsa Família”, diz Leandro. “Na verdade, têm sido demonstrado por pesquisas no mundo todo que beneficiários de programas dessa natureza não deixam de trabalhar por conta disso, até porque esse valor não é o suficiente para que tenham a vida desejada por eles.”

Na entrevista, o presidente da Rede Brasileira da Renda Básica também mostrou quais os desafios técnicos do ponto de vista de bases de dados cadastrais que o governo enfrenta para viabilizar a implementação menos problemática do auxílio emergencial. E explicou como a renda básica é uma alternativa para fazer inclusão social por outra via que não a do consumo.

Ouça o novo episódio do Dadocracia e entenda essa história.