Dadocracia – Episódio 07 – Os desafios da educação digital em tempos de Covid-19

De acordo com a UNESCO, três em quatro estudantes do mundo estão afastados das salas de aula por conta da pandemia da Covid-19, um número que chega próximo a um bilhão e quatrocentos milhões de crianças e jovens. No Brasil, com escolas fechadas há mais de um mês, essa realidade se transforma em um desafio para pais, educadores e formuladores de políticas públicas que precisam encontrar uma maneira de dar continuidade ao calendário escolar num contexto de quarentena e isolamento social.

Resposta fácil a esse desafio, o ensino a distância esbarra em limitações de acesso aos recurso tecnológicos necessários por parte da população, assim como desperta críticas sobre a forma como pode ser introduzido. A situação ressalta, ainda, a forma como governo e escolas têm sido negligentes na reflexão sobre o papel da tecnologia na educação e ensino.

“É uma situação única que mostra não só o despreparo de gestores para olhar tecnologia e educação como algo coletivo, mas também a tecnologia como uma linguagem que pode ser aprendida”, diz Priscila Gonsales, diretora do Instituto EducaDigital, uma das convidadas do sétimo episódio do Dadocracia, podcast sobre tecnologia e sociedade do Data Privacy Brasil.

Ao lado de Rosa Bertholini, fundadora e diretora pedagógica da escola Casa de Aprendizagens, Priscila discutiu como o novo coronavírus ressaltou problemas na forma como o setor educacional se relaciona com o mundo tecnológico. Além de tentar encontrar uma solução padronizada e imposta de cima para baixo, há falta de questionamento a respeito de plataformas e ferramentas oferecidas de forma gratuita por grandes empresas de tecnologia, destaca ela.

“Tudo que é grátis você está pagando de alguma forma”, fala Priscila. “A Covi trouxe isso escancaradamente é preciso ter essa discussão, olhar o contexto em que estamos usando essas plataformas, porque estamos usando e lembrar que tecnologia também é uma linguagem.”

Na Casa de Aprendizagens, Rosa conta que durante este período o objetivo é construir de forma coletiva junto a pais e educadores um modelo em que seja possível manter o diálogo com os alunos mesmo durante a quarentena. Um processo que inclui entender como manter a sanidade e evitar a exaustão.

“Não dá para ter um roteiro, não existe um manual de funcionamento que mostre como vai dar certo”, explica Rosa. “Até com microondas seguindo o manual a gente se embola, agora imagine se eu criar uma regra dizendo como cada educador vai criar sua intervenção online com seus estudantes.”

“A exaustão acontece quando se busca esse modelo da perfeição, de ter que fazer tudo igual ao presencial, como se o presencial estivesse ótimo”, continua Priscila. “Tudo o que estamos fazendo, de experimentar e errar, isso já é um resultado, temos que mudar o olhar, cobrar menos a perfeição.”

Ouça o sétimo episódio do Dadocracia e acompanhe a discussão sobre como a Covid-19 escancarou os desafios da educação no século XXI.